Ainda Estou Aqui - Brasil Anos 70
O filme Brasileiro “Ainda Estou Aqui” (que ganhou o Oscar por melhor filme internacional) por Marcelo Rubens Paiva conta a história verídica de sua família e o que passaram na era da ditadura militar brasileira. A produção do filme é impecável. Os figurinos são específicos, da cor de uma camiseta para os sinais de uso como pequenos furos ou manchas de água sanitária. O aspecto é de um filme feito nos anos 70 e a veracidade ajuda o espectador a se imergir e se sentir dentro da história.
Mas este não é um simples artigo de opinião, é uma reflexão sobre os atos ilícitos da ditadura militar Brasileira nos anos 70 e que foi apelidado o Golpe Militar de 64. O filme “Ainda Estou Aqui” é necessário para a exposição dos atos mencionados. E que filme… Fernanda Torres, que ganhou um Globo de Ouro por melhor atriz, interpreta Eunice Paiva e fez milhões de pessoas ao redor do globo chorarem com sua brilhante atuação. Isso foi muito necessário para o entendimento da época. Para a minha geração que praticamente não aprendeu nada sobre a ditadura, é um serviço tremendo. Ao assistir o filme, eu pude entender a extensão da crueldade que foi imposta em tantos brasileiros inocentes, ou que tentaram ajudar aos que precisavam.
(JuriNews)
E ainda assim, é difícil saber tudo sobre a época pela falta de ensinamento e pouca conversa. São por meios de mídia e relatos que se entende o que muitos passaram nas mãos de militares. Também é importante a exposição para outros países que não faziam ideia do que aconteceu. A parte que mais me assustou e que me fez entender que nem toda censura foi deixada para trás foi quando Vera Paiva (Valentina Herszage) ainda morando na Inglaterra revela que soube sobre a prisão de seu pai Rubens Paiva (Selton Mello) enquanto tudo foi negado no Brasil. A falta de informação força o povo a se curvar a qualquer governo que esteja no poder, e deixa espaço para que os mesmos erros sejam repetidos. Na eleição de 2022, por exemplo, ouvimos muita gente pedindo e torcendo para que uma ditadura militar acontecesse. Isso é de um tamanho desserviço para todas as vítimas e suas famílias que sofreram e ainda sofrem por causa de pessoas e opiniões como esta que faltam estudo e transbordam em ignorância.
Também é importante lembrar da censura nas artes. Grandes artistas como Caetano Veloso e Gilberto Gil foram perseguidos e presos juntos em São Paulo em 1968. Caetano foi preso por “desrespeitar os símbolos nacionais” e Gil por “incitar a juventude à rebeldia”. Os artistas praticaram exílio em Londres junto com suas esposas e empresários. Rita Lee, que também foi muito censurada, foi presa em 1976 e estava grávida de seu primeiro filho, Beto Lee. Ela foi solta com a ajuda de Elis Regina que era muito respeitada na época. Qualquer informação sobre coisas contra a ditadura foi censurada ou apagada na época. As pessoas nascidas na ditadura foram descobrir outros governos em 1979.
A violência foi um fator devastador posto pelos militares. Foi mostrado no filme o que Eunice Paiva sofreu, mas muitos foram assassinados pelas Polícias Militares. Inclusive, as estruturas atuais da polícia são heranças diretas da ditadura. A Comissão Nacional da Verdade listou somente 434 mortos na ditadura. Porém, a atual presidenta da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), Eugênia Augusta Gonzaga, com quase 30 anos de experiência no Ministério Público Federal (MPF) e 23 anos lidando com justiça de transição afirmou em entrevista à Agência Pública, “Se nós formos computar as pessoas atingidas pelos atos de exceção, a gente passa facilmente do número de 10 mil mortos e desaparecidos políticos no Brasil”. Ela defende que devemos mudar o jeito que contamos mortos e desaparecidos na ditadura militar (1964-1985). [Fonte: apublica.org]. A violência ainda é usada e normalizada. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, foram 6.393 mortos em 2023 por intervenção policial.
Outras cenas impactantes do filme incluem Eunice vendo Rubens ser levado com um sorriso em seu rosto, mas com tanta incerteza em seus olhos; quando ela volta da prisão suja e se lava inúmeras vezes; quando a família vai para a sorveteria e ela olha ao seu redor com um vazio imenso; e principalmente quando ela, idosa (Fernanda Montenegro), com alzheimer, vê uma reportagem sobre seu marido e o reconhece, mesmo que por um segundo. Maria Lucrécia Eunice Facciolla Paiva sobreviveu e cresceu mais alta do que todas suas dificuldades. Foi uma advogada e ativista contra a ditadura no Brasil, e se especializou na luta pelos direitos dos povos indígenas. Uma mulher inspiradora, e só mais uma das muitas vítimas de um sistema corrupto e cruel.
(Aventuras na História)
Está claro que a ditadura teve consequências extensas no país. Consequências que levaram e levarão muitos anos para serem reparadas. E isso começa na compensação de famílias afetadas pela violência militar, explicação de mortes e cartas de perdão. Nada disso trará as vítimas de volta a vida, mas trará clareza para muitos que ainda não sabem o que aconteceu com seus familiares.
Assista. Leia. Se eduque para que o país melhore, para que a violência não seja necessária e para que cada vez mais possamos viver em paz.
VIVA A DEMOCRACIA!! VIVA O BRASIL!!
Seja o primeiro a comentar!
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Envie seu comentário preenchendo os campos abaixo
Nome
|
E-mail
|
Localização
|
|
Comentário
|
|